Comprar ações ON ou PN: o que você precisa analisar antes

 Comprar ações ON ou PN: o que você precisa analisar antes

Quem começa a investir na Bolsa de Valores rapidamente se depara com duas siglas muito comuns: ações ON e ações PN. À primeira vista, essa diferença pode parecer apenas um detalhe técnico, mas, na prática, ela influencia diretamente seus direitos como acionista, o recebimento de dividendos e até o nível de proteção que você tem como sócio da empresa.

Na B3, as ações ordinárias (ON), geralmente identificadas pelo final 3 no código, concedem direito a voto nas assembleias. Isso significa participação nas decisões estratégicas da companhia, como eleição do conselho de administração e aprovações relevantes.

Já as ações preferenciais (PN), normalmente identificadas pelo final 4, em regra não dão direito a voto, mas podem oferecer prioridade na distribuição de dividendos ou no reembolso de capital em caso de liquidação da empresa. É uma troca entre influência e prioridade financeira.

Entender o que está por trás dessas siglas é fundamental para quem deseja investir de forma consciente, evitando escolhas baseadas apenas no preço da ação ou em recomendações superficiais. A decisão entre ON e PN deve estar alinhada aos seus objetivos financeiros, seja buscar crescimento patrimonial no longo prazo, renda passiva com dividendos ou maior proteção como sócio.

No fim das contas, investir bem não é apenas escolher uma empresa promissora.

É entender exatamente qual tipo de participação você está adquirindo dentro dela.









Neste artigo, você vai entender de forma clara e prática as principais diferenças entre ações ON e PN, com exemplos reais do mercado brasileiro, para que possa tomar decisões mais inteligentes e seguras desde os primeiros passos na Bolsa de Valores.

O que são ações ON e PN
As principais diferenças entre elas
Exemplos reais de empresas brasileiras
Qual tipo de ação pode fazer mais sentido para você

O que são ações?

Ações são pequenas partes do capital social de uma empresa negociadas na Bolsa de Valores. Quando você compra uma ação, passa a ser sócio do negócio, mesmo que em uma parcela muito pequena.

No Brasil, essas negociações acontecem por meio da B3, onde investidores compram e vendem participações de empresas listadas.
Ser acionista significa participar dos resultados da companhia, tanto nos lucros quanto nos riscos.

Na prática:

Se a empresa cresce, aumenta seu faturamento e gera lucro consistente, o valor das ações tende a se valorizar ao longo do tempo. Além disso, parte desse lucro pode ser distribuída aos acionistas na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio.

Por outro lado, se a empresa enfrenta dificuldades financeiras, queda de receita, aumento de dívidas ou problemas de gestão, o mercado tende a reagir negativamente. Isso pode levar à queda no preço das ações e, consequentemente, à desvalorização do seu investimento.

Investir em ações, portanto, é aceitar essa dinâmica:

 Participar do crescimento.

 Assumir os riscos do negócio.

É exatamente essa relação entre risco e retorno que torna o investimento em ações potencialmente mais rentável no longo prazo, mas também mais volátil no curto prazo.

 Exemplo simples:

Se uma empresa é dividida em 1 milhão de ações e você compra 100 ações, você passa a ser dono de uma fração dessa empresa.
Direitos de quem investe em ações
Ao investir em ações, o investidor pode ter direitos como:
Participação nos lucros (dividendos)
Direito a voto em assembleias (dependendo do tipo de ação)
Proteção em caso de venda da empresa
Valorização do capital investido
Esses direitos variam conforme o tipo de ação adquirida.

Essa dinâmica entre valorização e desvalorização acontece porque o preço das ações não depende apenas dos resultados atuais da empresa, mas principalmente das expectativas do mercado em relação ao seu futuro. Investidores analisam lucro, endividamento, capacidade de crescimento, posição no setor, qualidade da gestão e cenário econômico. Tudo isso influencia o quanto estão dispostos a pagar por aquela participação.

Quando há expectativa de crescimento consistente, expansão de mercado ou aumento de lucros, a demanda pelas ações tende a aumentar. Com mais pessoas querendo comprar do que vender, o preço sobe. Por outro lado, notícias negativas, resultados abaixo do esperado ou crises econômicas podem reduzir o interesse dos investidores, pressionando os preços para baixo.

É importante entender que o valor de mercado de uma empresa oscila diariamente, mas isso não significa que o negócio em si muda todos os dias. Muitas vezes, o que muda é a percepção do mercado. Por isso, investir em ações exige visão de longo prazo e capacidade emocional para lidar com volatilidade.

Outro ponto fundamental é que o retorno no mercado de ações pode vir de duas formas principais: valorização e proventos. A valorização ocorre quando você vende a ação por um preço maior do que pagou. Já os proventos, como dividendos, representam a distribuição de parte do lucro da empresa aos acionistas. Empresas sólidas e lucrativas costumam manter uma política de distribuição regular, o que pode gerar uma renda passiva ao longo do tempo.

No entanto, diferentemente de investimentos de renda fixa, não há garantia de retorno. A empresa pode reduzir lucros, suspender dividendos ou enfrentar dificuldades operacionais. Por isso, investir em ações não deve ser encarado como uma promessa de ganhos rápidos, mas como participação estratégica em negócios que você acredita terem potencial de crescimento sustentável.

Ao comprar uma ação, você não está apenas adquirindo um código no home broker. Está adquirindo uma fração real de um empreendimento, com direitos, deveres e exposição ao desempenho daquela companhia. Essa consciência transforma o ato de investir em uma decisão mais madura e alinhada aos seus objetivos financeiros de longo prazo.

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No Brasil, existem basicamente dois tipos de ações:

No mercado brasileiro, as empresas listadas na B3 podem emitir basicamente dois tipos de ações, e cada uma delas concede direitos diferentes aos investidores. Essa distinção não é apenas técnica — ela influencia diretamente o seu papel como sócio e a forma como você participa dos resultados da empresa.

As Ações Ordinárias, conhecidas pela sigla ON e geralmente identificadas pelo número final 3 no código de negociação, concedem ao investidor o direito a voto nas assembleias da companhia. Isso significa que o acionista pode participar de decisões importantes, como eleição do conselho de administração, aprovação de fusões, aquisições e outras mudanças estratégicas. Além disso, em caso de venda do controle da empresa, as ações ON normalmente garantem o chamado tag along, que oferece maior proteção ao minoritário ao assegurar condições semelhantes às do acionista controlador.

Já as Ações Preferenciais, identificadas como PN e geralmente representadas pelo número final 4, costumam não conceder direito a voto. Em contrapartida, podem oferecer prioridade na distribuição de dividendos ou no reembolso de capital em caso de liquidação da empresa. A lógica é simples: o investidor abre mão de influência nas decisões para ter preferência financeira na distribuição de resultados, quando houver lucro.

Cada tipo atende a um perfil específico de investidor. Quem valoriza governança e participação nas decisões tende a se identificar mais com ações ON. Quem prioriza fluxo de renda e foco em dividendos pode se sentir mais confortável com ações PN, dependendo da política da empresa.

Compreender essas diferenças antes de investir evita decisões superficiais baseadas apenas no preço ou na recomendação de terceiros. No mercado de ações, o detalhe do tipo de papel pode mudar completamente a natureza do seu investimento.

O que são Ações ON (Ordinárias)?

As ações Ordinárias (ON) são aquelas que concedem ao investidor o direito de voto nas assembleias gerais da empresa. Isso significa que quem possui ações ON pode participar das principais decisões corporativas, influenciando diretamente o futuro do negócio.

Além do direito a voto, o investidor também participa dos lucros da empresa, por meio do pagamento de dividendos, e conta com um nível maior de proteção em situações importantes, como a venda do controle da companhia.

Principais características das ações ON
 Direito a voto nas assembleias
 Participação nos lucros, por meio de dividendos e juros sobre capital próprio
 Direito de tag along, garantindo proteção ao acionista em caso de mudança no controle da empresa
Maior poder de decisão como sócio

Essas características fazem das ações ON uma escolha comum para investidores que desejam acompanhar a empresa de perto e pensar no investimento como uma sociedade de longo prazo.

Exemplos práticos de ações ON

Alguns exemplos bastante conhecidos na Bolsa brasileira:
PETR3 → Ações ordinárias da Petrobras
VALE3 → Ações ordinárias da Vale
ITUB3 → Ações ordinárias do Itaú
Note que as ações ON costumam terminar com o número 3 no código de negociação.

Que tipo de decisão o acionista ON pode votar?

Ao possuir ações ON, o investidor pode participar de decisões estratégicas, como:

Eleição do conselho de administração
Aprovação de fusões e aquisições
Mudanças na estrutura ou estratégia da empresa
Alterações relevantes no estatuto social

Embora o pequeno investidor tenha uma participação reduzida, esse direito reforça o papel de sócio e a governança corporativa.

Para quem as ações ON são mais indicadas?

As ações ordinárias são ideais para investidores que pensam no longo prazo, valorizam governança, segurança como sócio e desejam ter um papel mais ativo, mesmo que indireto, nas decisões da empresa.

O que são Ações PN (Preferenciais)?

As ações Preferenciais (PN) são um tipo de ação que concede ao investidor vantagens financeiras, principalmente a preferência no recebimento de dividendos, mas que, na maioria dos casos, não oferece direito a voto nas decisões da empresa.

Ou seja, o investidor PN participa dos resultados financeiros da companhia antes dos acionistas ON, porém não costuma participar das decisões estratégicas do negócio. Por esse motivo, esse tipo de ação é bastante utilizado por quem busca renda passiva e previsibilidade de ganhos.

Veja também:O Novo Dividend Yield: Como calcular o lucro real de FIIs e Ações após o desconto do Leão.

Principais características das ações PN:

Principais características das ações PN (Preferenciais)

Prioridade no pagamento de dividendos

Uma das maiores vantagens das ações PN é a preferência no recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio. Isso significa que, quando a empresa distribui lucros, os acionistas PN costumam ser pagos antes dos acionistas ON, o que traz mais previsibilidade de renda.

 Geralmente não possuem direito a voto

Na maioria das empresas, quem investe em ações PN não participa das assembleias e decisões estratégicas. Para muitos investidores focados em renda, isso não é um problema, já que o objetivo principal é o retorno financeiro, e não o controle da empresa.

 Foco em geração de renda

Por oferecerem maior prioridade nos dividendos, as ações PN são muito utilizadas por investidores que desejam renda passiva, seja para complementar a renda mensal ou reinvestir os ganhos ao longo do tempo. Elas costumam fazer parte de carteiras voltadas para dividendos.

 Normalmente mais baratas que as ações ON

Em muitos casos, as ações PN são negociadas a preços inferiores às ON da mesma empresa. Isso permite que o investidor compre mais ações com o mesmo capital, potencializando o recebimento de dividendos, especialmente para quem está começando.

Exemplos de ações PN

Alguns exemplos bastante conhecidos no mercado brasileiro:

PETR4 → Ações preferenciais da Petrobras
ITUB4 → Ações preferenciais do Itaú
BBAS4 → Ações preferenciais do Banco do Brasil

Um detalhe importante é que o número 4 no final do código ajuda a identificar rapidamente que se trata de uma ação PN.

 Por que investidores buscam ações PN?

As ações preferenciais são muito procuradas por investidores que buscam dividendos recorrentes, maior previsibilidade de pagamentos e uma estratégia voltada para renda passiva no longo prazo, sem a necessidade de participar da gestão da empresa.

 Dica extra:

Antes de investir em ações PN, vale analisar o estatuto social da empresa, pois algumas PN oferecem benefícios adicionais, como dividendos mínimos ou participação diferenciada nos lucros.

Ações ON ou PN: qual é melhor?

Essa é uma das perguntas mais comuns entre quem começa a investir na Bolsa de Valores. A resposta, porém, é simples e ao mesmo tempo importante: não existe uma opção melhor de forma absoluta. A escolha entre ações ON e PN depende diretamente do seu perfil de investidor, dos seus objetivos financeiros e do prazo que você pretende manter o investimento.

Cada tipo de ação atende a uma estratégia diferente dentro da carteira.
Quando as ações ON fazem mais sentido?
 As ações Ordinárias (ON) costumam ser mais indicadas para investidores que:
Pensam no longo prazo, focando na valorização da empresa
Querem participar, mesmo que indiretamente, da governança corporativa
Buscam mais segurança em caso de mudança de controle da companhia, graças ao direito de tag along
Valorizam empresas com boas práticas de gestão e transparência

Esse tipo de ação é muito utilizado por investidores que enxergam o investimento como uma sociedade de longo prazo, e não apenas como uma fonte de renda imediata.

Quando as ações PN são mais indicadas?
Já as ações Preferenciais (PN) costumam atrair investidores que:
Buscam renda passiva e fluxo de caixa recorrente
Têm foco em dividendos e previsibilidade de pagamentos
Não se importam em abrir mão do direito a voto
Desejam montar uma carteira voltada para geração de renda no longo prazo

As PN são bastante comuns em estratégias de aposentadoria, reinvestimento de dividendos e construção de patrimônio com foco em renda.

Estratégia comum: equilíbrio entre ON e PN

 Dica de ouro: muitos investidores experientes não escolhem apenas um tipo de ação.
Eles equilibram a carteira, combinando ações ON e PN da mesma empresa ou de empresas diferentes, buscando:
Segurança e governança (ON)
Renda e dividendos (PN)

Essa diversificação ajuda a alinhar crescimento e geração de renda em uma única estratégia.

Atenção ao Novo Mercado da B3

Um ponto muito importante é entender o que é o Novo Mercado da B3.
Empresas listadas nesse segmento são obrigadas a emitir apenas ações ON, adotando padrões mais elevados de governança corporativa.

Alguns exemplos conhecidos:

Magazine Luiza (MGLU3)
WEG (WEGE3)
Nubank (ROXO34 – BDR)

 O foco do Novo Mercado é garantir mais transparência, equidade entre acionistas e proteção ao investidor, o que costuma atrair investidores de longo prazo.

Quem está começando na Bolsa geralmente olha apenas para três coisas:

Quem está começando na Bolsa costuma tomar decisões com base em fatores muito superficiais. O investidor iniciante olha o nome da empresa, observa o preço da ação na tela e se deixa levar pelo “potencial de subir”. Se a companhia é conhecida, se o valor parece “barato” ou se alguém comentou que vai valorizar, isso já parece suficiente para apertar o botão de compra.

O problema é que quase ninguém presta atenção em um detalhe simples, mas decisivo: as duas últimas letras ou números do código da ação. É justamente ali que está uma das diferenças mais importantes para o investidor, e também um dos erros mais comuns de quem está começando.

Na Bolsa brasileira, cada ação é identificada por um código específico, chamado ticker. Empresas como a Petrobras, por exemplo, possuem mais de um tipo de ação negociada. Existe PETR3 e PETR4. À primeira vista, parece apenas uma variação numérica. Mas essa pequena diferença representa direitos distintos para o acionista.

O número final indica a classe da ação. No Brasil, as ações terminadas em 3 geralmente são ações ordinárias, que dão direito a voto nas assembleias da empresa. Já as terminadas em 4 costumam ser ações preferenciais, que normalmente não dão direito a voto, mas podem ter preferência no recebimento de dividendos ou no reembolso de capital em caso de liquidação.

Na prática, isso significa que você pode estar comprando participação na mesma empresa, mas com direitos completamente diferentes. Um investidor pode adquirir ações buscando influência nas decisões da companhia, enquanto outro pode priorizar recebimento de dividendos. Se essa escolha não for consciente, ela deixa de ser estratégia e passa a ser acaso.

Imagine alguém que deseja ter direito a voto por acreditar no crescimento de longo prazo da empresa e na importância de participar das decisões. Se ele comprar a ação errada por não observar o código, pode acabar sem esse direito. Por outro lado, alguém focado em renda pode comprar um tipo de ação menos vantajoso para sua estratégia simplesmente por desconhecer a diferença.

Esse detalhe aparentemente pequeno separa o investidor que apenas “compra o nome” daquele que entende o que realmente está adquirindo. Na Bolsa, não basta saber qual empresa você está comprando. É fundamental saber exatamente qual tipo de ação está levando para a carteira. E, muitas vezes, tudo começa com a atenção às duas últimas letras ou números do código.

O erro clássico do iniciante

Existe um comportamento que se repete com frequência entre quem está começando na Bolsa: a decisão baseada apenas no que “parece melhor” à primeira vista.

Muitos investidores compram a ação mais barata, acreditando que estão fazendo um bom negócio simplesmente porque o preço unitário é menor. Outros escolhem a que está subindo mais nos últimos dias, com medo de “perder a oportunidade”. Há ainda quem compre apenas porque alguém indicou em um grupo, vídeo ou rede social.

O problema é que, nesse processo, quase ninguém para para analisar o código completo da ação — especialmente os números finais. E é justamente ali que pode estar a diferença entre ter mais ou menos direitos como acionista.

No Brasil, as ações negociadas na B3 seguem um padrão: quatro letras que identificam a empresa e um número que indica o tipo da ação.

Por exemplo, ações terminadas em 3 geralmente são ações ordinárias (ON), que dão direito a voto nas assembleias. Já ações terminadas em 4 costumam ser preferenciais (PN), que normalmente não dão direito a voto, mas podem ter prioridade no recebimento de dividendos. Existem ainda códigos como 11, que representam units — um pacote que pode combinar ações ON e PN.

Perceba como isso muda completamente a lógica da decisão.

Imagine duas ações da mesma empresa:

EmpresaX3 negociada a R$ 20

EmpresaX4 negociada a R$ 18

O iniciante olha e pensa: “Vou comprar a de R$ 18, é mais barata.”

Mas ele pode estar abrindo mão do direito a voto. Ou pode estar escolhendo uma estrutura diferente de governança. Ou ainda pode estar optando por um tipo de ação com liquidez menor no mercado.

Em outras palavras, ele acha que está escolhendo preço, mas, na prática, está escolhendo direitos.

Outro erro comum é comprar “a que está subindo mais”, sem perceber que uma pode estar tendo mais volume de negociação que a outra. Às vezes, a ação mais líquida é justamente a que tem maior participação institucional e maior proteção em caso de mudança de controle.

O problema não é escolher ON ou PN. Ambas podem fazer sentido, dependendo da estratégia. O problema é escolher sem saber o que está escolhendo.

Esse é o tipo de detalhe que não aparece no gráfico e nem no preço destacado na tela do home broker. Mas faz toda a diferença no longo prazo.

Investir não é apenas apertar o botão de compra. É entender exatamente o que você está comprando.

 O que você realmente escolhe quando compra uma ação?

Quando alguém compra uma ação, a impressão inicial é simples: “Estou comprando uma empresa.”

Mas, na prática, a decisão é muito mais profunda do que isso.
Você não escolhe apenas a marca, o setor ou o potencial de crescimento.
Você escolhe o tipo de participação que terá dentro daquela empresa.
Na B3, cada código carrega uma estrutura diferente de direitos. E esses direitos definem o seu papel como sócio.

Ao comprar uma ação, você está escolhendo:

Seu nível de influência.

Ações ordinárias (final 3) normalmente dão direito a voto em assembleias. Isso significa participar de decisões importantes, como eleição do conselho e mudanças estratégicas. Você pode até ser um acionista pequeno, mas juridicamente tem voz.

Seu tipo de prioridade financeira.

Ações preferenciais (final 4), em geral, não dão direito a voto, mas podem ter prioridade na distribuição de dividendos. É uma troca: menos influência, potencialmente mais previsibilidade na remuneração.

Seu perfil como investidor.

Quem compra pensando em governança e controle tende a valorizar direitos políticos.
Quem prioriza fluxo de renda pode preferir foco em dividendos.
Quem busca simplicidade pode optar por units (final 11), que combinam diferentes tipos de ações em um único ativo.

Perceba como a decisão deixa de ser apenas “qual vai subir mais?” e passa a ser “qual papel eu quero desempenhar como sócio?”.

Comprar ação é escolher um tipo de sociedade.
E sociedade não é apenas preço na tela do home broker.
É direito. É prioridade. É estrutura.
É posicionamento dentro da empresa.
No fim das contas, investir na Bolsa não é só apostar em crescimento.
É decidir qual lugar você ocupa dentro do negócio.

Dicas finais para investir melhor em ações

Para tomar decisões mais seguras e conscientes no mercado de ações, é fundamental ir além do preço do papel ou das oscilações de curto prazo. Um bom investimento começa com análise, clareza de objetivos e disciplina. Considere sempre os pontos abaixo:
Analise o histórico de dividendos da empresa ao longo dos anos

Avalie se a companhia possui consistência no pagamento de dividendos, como ela se comportou em diferentes ciclos econômicos e se os lucros sustentam essas distribuições. Regularidade costuma ser mais importante do que valores pontuais elevados.

Avalie o nível de governança corporativa
Observe em qual segmento da B3 a empresa está listada (Novo Mercado, Nível 2, Nível 1). Boas práticas de governança tendem a reduzir riscos, aumentar a transparência e proteger melhor os interesses do investidor minoritário.

Verifique o tag along, principalmente nas ações ON
O tag along garante que, em caso de venda do controle da empresa, o acionista minoritário receba condições semelhantes às do controlador. Esse detalhe faz grande diferença na proteção do investidor no longo prazo.

Defina claramente seu objetivo
Antes de investir, saiba se seu foco é renda passiva, crescimento patrimonial ou uma combinação dos dois. Essa definição orienta a escolha dos ativos, o prazo de investimento e o nível de risco assumido.

Nunca invista sem entender o ativo
Conheça o modelo de negócio da empresa, suas fontes de receita, seus principais riscos e o setor em que atua. Investir sem compreensão é especular, e isso aumenta muito as chances de decisões ruins.

Agora um breve resumo

Mais importante do que escolher entre ON ou PN é entender por que você está investindo.
A decisão entre um tipo ou outro não deveria ser baseada apenas no preço, na recomendação de terceiros ou no movimento recente do gráfico. Ela deve estar conectada ao seu objetivo financeiro, ao seu perfil e à estratégia que você deseja construir no longo prazo.
Se o seu foco é participação e governança, faz sentido analisar ações que oferecem direito a voto.
Se a prioridade é geração de renda, pode ser mais coerente olhar para estruturas que priorizam dividendos.

Se a meta é simplicidade e praticidade, talvez uma alternativa combinada seja mais adequada.
Quando o tipo de ação está alinhado ao seu objetivo, o investimento deixa de ser impulsivo e passa a ser consciente. Deixa de ser especulação e passa a ser estratégia. E estratégia é o que sustenta resultados consistentes ao longo do tempo.
Investir bem começa com informação de qualidade.
Quem entende o que compra toma decisões com mais segurança.
Quem decide com base em conhecimento reduz erros evitáveis.
No mercado financeiro, dinheiro é importante.
Mas informação é ainda mais valiosa.
Informação é o melhor investimento.
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